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Magistrados do Trabalho afirmam que reforma trabalhista não pode ser aplicada como foi aprovada

Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Maurício Godinho Delgado

Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Maurício Godinho Delgado

Brasil de Fato – Aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Michel Temer, a reforma trabalhista ainda não foi discutida pelos tribunais, mas juízes, desembargadores e ministros da Justiça do Trabalho já dizem que as novas normas não poderão ser aplicadas integralmente.

Eles se reuniram em Brasília na segunda-feira (9) em evento da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). No encontro, ministros do Tribunal Superior do Trabalho, desembargadores, procuradores e auditores fiscais do Trabalho, entre outros, fizeram duras críticas às mudanças nas leis que regem as relações entre patrões e empregados e avisaram: diversos pontos da reforma não se tornarão realidade, pois desrespeitam a Constituição Federal e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Para o ministro do TST Mauricio Godinho, por exemplo, caso a nova lei seja interpretada de maneira literal, a população não terá mais acesso à Justiça do Trabalho no Brasil, o que representaria clara ofensa ao princípio do amplo acesso ao Judiciário estabelecido pela Constituição.

“Faremos a interpretação do diploma jurídico em conformidade com a Constituição. Não houve constituinte no país e não houve processo revolucionário que tenha suplantado a Constituição Federal. A Constituição é a grande matriz que vai iluminar o processo interpretativo da Reforma Trabalhista”, avisou.

O Brasil, lembrou o magistrado, é um 10 países do mundo que mais subscrevem ou ratificam tratados internacionais – segundo ele, são mais de 80. E a jurisprudência fixada pelo Supremo Tribunal Federal, ressaltou Godinho, é no sentido de que os acordos com outras nações têm força supralegal e devem ser respeitados como qualquer outra norma jurídica vigente.

Ele listou alguns pontos da nova lei que considera prejudiciais aos trabalhadores. Equiparar a dispensa coletiva a demissões isoladas, disse, é um dos exageros. Na visão do ministro, não há como dizer que demitir uma pessoa é a mesma coisa do que dispensar 4 mil funcionários. “A Constituição e outras normas, como o Código de Processo Civil, tratam com cuidado e zelo à figura do abuso do direito”, argumentou.

As novas regras que disciplinam os contratos com autônomos não poderão valer para todas as situações, afirmou. Deve-se examinar caso a caso: “Se os elementos de relação de emprego estiverem presentes, o indivíduo é empregado e ponto final”.

O trecho do texto que trata do salário e sua composição também deverá ter uma interpretação restritiva, defendeu Godinho. “Como uma gratificação habitual vai deixar de compor o salário? Gratificação dada durante vários anos faz parte do salário por força de princípios da CF e do tratado da Organização Internacional do Trabalho”, frisou.

Vincular o cálculo da indenização por danos morais ao salário é questionável, apontou. Com a terceirização da mão de obra em atividade fim, permitida pela Lei 13.429/2017, aprovada pouco antes da reforma, a tendência é que se acabem as categorias profissionais, pois todos serão terceirizados, sustentou. Os três métodos de interpretação das leis, o lógico racional, o sistemático e o teleológico, terão que ser aplicados na análise de processos após a reforma, disse.

O Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho e ministro do TST, Renato de Lacerda Paiva, evitou fazer críticas diretas à reforma, mas reconheceu que é um momento delicado para a advocacia trabalhista no Brasil. “O que ocorre no momento é uma mudança de paradigma conjuntural da sociedade. Mera conjuntura. E acho que temos que ter essa percepção, que já passamos por momentos piores e superamos. E vamos superar esse agora também, que vai passar”, previu.

E o evento é oportuno para se discutir esse novo paradigma que, segundo ele, quem escolheu foi a sociedade. “Que esse debate seja feito em alto nível, com equilíbrio e respeito. Com tranquilidade e sem paixão, para que nós consigamos alcançar resultados que tragam aquilo que sempre fizemos. Nosso papel na sociedade sempre foi o de promover a paz social e a segurança jurídica. Que o resultado desse evento possa ser nessa direção. Vamos dar um testemunho à sociedade do que nós somos”, afirmou.

Aqueles que criticam os profissionais da área trabalhistas, disse, o fazem por desconhecimento. “Como corregedor, posso garantir que a Justiça do Trabalho é seríssima e se pautada pela excelência, com raríssimas exceções”, salientou.

O presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano, classificou a nova legislação como “altamente polêmica” e admitiu que faz parte da corrente que vê na lei inúmeras “inconstitucionalidades e inconvencionalidades”. Vários pontos da reforma também se chocam com tratados internacionais, que integram o ordenamento jurídico com status de supralegalidade, defendeu. A norma não é o texto, a norma é o que se extrai do texto, explicou.

Ele comemorou a alta adesão de profissionais da área ao evento, que teve mais de 600 inscritos, e disse que o encontro servirá para descortinar um horizonte hermenêutico em relação ao tema. “Negar ao Judiciário a sua independência institucional ─ e, ao juiz, a sua independência técnica ─, em qualquer tema que seja (inclusive na reforma), é fazer claudicar o sistema constitucional de freios e contrapesos. É ferir de morte a Democracia. E é, no limite, negar um dos fundamentos da República”, disse.

Garantias individuais respeitadas

Ele criticou as afirmações de que os juízes do Trabalho vão “ignorar” a nova legislação ou que a própria subsistência da Justiça do Trabalho estaria condicionada ao cumprimento da Lei 13.467/17. Não há como saber de antemão como a lei será aplicada, avisou: “Na livre convicção motivada de cada juiz do Trabalho, a partir de 11 de novembro, reside a indelével garantia do cidadão. A garantia de que o seu litígio será concretamente apreciado por um juiz natural, imparcial e tecnicamente apto para, à luz das balizas constitucionais, convencionais e legais, dizer a vontade concreta da lei”.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas  Roberto Parahyba, “a reforma foi aprovada de uma forma açodada, com uma urgência irresponsável e desmesurada, em que pretende atacar os alicerces sob os quais encontram-se construídos todos os princípios do Direito do Trabalho e do direito social, que são espécie do gênero direitos fundamentais”. O objetivo do encontro, disse, é tentar minimizar ao máximo o impacto da reforma.

Fonte: Brasil de Fato

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SINDICATO ESTÁ NA ESQUINA DEMOCRÁTICA PELA ANULAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA

Banca vai permanecer no local até o final da tarde

Banca foi instalada para coletar assinaturas

O Sindivigilantes do Sul está mobilizado para a campanha da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que visa apresentar um projeto de lei de iniciativa popular propondo a anulação da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017). Na manhã desta segunda-feira (25), o sindicato montou uma banca na Esquina Democrática, em Porto Alegre, com diretores coletando assinaturas da população de apoio à  iniciativa.

A meta nacional da campanha é colher até o dia 31 de outubro mais de 1,3 milhão de assinaturas, que representa 1% do eleitorado brasileiro. Depois, as listas de assinaturas serão protocoladas com o projeto de iniciativa poppular na Câmara dos Deputados, antes da entrada em vigor da reforma trabalhista, dia 11 de novembro.

Esta reforma do Temer muda mais de cem artigos da CLT e acaba com muitas conquistas histórias dos trabalhadores e trabalhadoras. Só favorece as empresas e os patrões. Além da banca na Esquina Democrática, os vigilantes também podem assinar a proposta nos formulários que estão disponíveis na sede do sindicato.

Veja também o vídeo.

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O que você ganha ou perde com a reforma trabalhista e da previdência?

Mais de cem artigos da CLT foram alterados

Mais de cem artigos da CLT foram alterados

É amanhã, sábado (26), à tarde, o seminário promovido pelo sindicato que vai apresentar à categoria as mudanças provocadas pela reforma trabalhista, que entra em vigor em novembro, e a perspectiva para as aposentadorias com a reforma da previdência, que está para ser votada.

O seminário acontece na Paróquia da Pompeia, na Rua Barros Cassal, 220, no centro de Porto Alegre, a partir das 14 horas. É a oportunidade para todos e todas saberem o que ganham e, principalmente, o que perdem com as alterações em mais de cem artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Serão duas rodadas de intervenções: a mesa de abertura e uma mesa com especialistas no tema, entre eles o senador Paulo Paim, que acompanha bem de perto todas essas discussões em Brasília e pode antecipar algumas coisas do que ainda está por vir.

Veja a programação completa:

Seminário Sobre os Impactos da Reforma Trabalhista e da Previdência

Dia: 26 de agosto
Local: Igreja Pompeia – Rua Barros Cassal, 220 – Porto Alegre
Horário: 14h às 18h

Abertura: 14h

– Loreni Dias – Presidente do Sindivigilantes do Sul

– Adão Villaverde – Deputado Estadual

– Claudir Nespolo – Presidente da CUT (RS)

– José Boaventura – Presidente da CNTV

Painel: 15h – Reformas Trabalhista e da Previdência

– Paulo Paim – Senador

– Graça Costa – Secretária de Relações do Trabalho – CUT Nacional

– Arthur Dias Filho – Depto. Jurídico – Sindivigilantes do Sul

– Anelise Manganelli – Economista – Dieese (RS)

Encerramento: 18h

“A reforma trabalhista é cruel… Com essa reforma, o trabalhador fica totalmente desprotegido e somente quem ganha é o empregador”. –  Senador Paulo Paim

É uma reforma feita sob medida para empresários gananciosos, que desrespeitam as leis e querem se livrar de ações trabalhistas.
Claudir Nespolo – presidente da CUT/RS

“Como vínhamos avisando, estava a caminho uma verdadeira tempestade contra os direitos dos trabalhadores”.
Arthur Dias Filho, advogado e assessor jurídico do sindicato

 

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Direção, apoios e funcionários tiveram reunião sobre reforma trabalhista

Advogado do Departamento Jurídico explicou mudanças na CLT

Advogado do Departamento Jurídico explicou mudanças na CLT

A direção, apoios e funcionários (as) do sindicato tiveram uma importante reunião, sábado (12), para tratar do tema da reforma trabalhista. Foi palestrante o advogado Maurício Vieira da Silva, do Departamento Jurídico do Sindivigilantes do Sul. Ele apresentou as mudanças trazidas pela Lei nº 13.467, que altera a CLT em mais de 100 artigos, e explicou suas repercussões para a categoria e trabalhadores em geral.

“Estão acabando com os direitos que muita gente lutou para conquistar, durante muito tempo, a duras penas, com o suor e até o sangue de muitos trabalhadores e de muitos sindicalistas”, disse o advogado. Quanto aos sindicatos, ele disse que, talvez não num primeiro momento, mas logo, “finalmente, os trabalhadores vão perceber a importância de ter um sindicato forte e uma diretoria na rua, lutando por seus direitos”.

O presidente Loreni Dias explicou que o objetivo da reunião foi esclarecer as dúvidas de quem, no contato com a categoria, precisa estar bem informado sobre estas mudanças. Ele lamentou a aprovação de uma legislação que modifica tão radicalmente a CLT: “No Brasil, estão querendo matar o povo de fome, infelizmente temos um (senador) Lasier Martins e a (senadora) Ana Amélia Lemos, e outros como eles, que estão lá no Congresso só para votar contra os trabalhadores”, afirmou.

Seminário dia 26

Dia 26 de agosto, sábado, a partir das 14 horas, na Igreja Pompeia, na capital, o sindicato promove um seminário para toda a categoria e convidados de outros sindicatos sobre o mesmo tema – reforma trabalhista – e reforma da Previdência. Não precisa inscrição, basta comparecer ao local e participar. Horas extras, rescisões, escala 12 x 36, férias, intervalo, feriados e repouso semanal, aposentadorias, serão alguns dos temas tratados.

Clique aqui para ver a íntegra da Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017.

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