No início de junho, o Rio Grande do Sul já chegou à marca de 36 assassinatos de mulheres neste ano. Em todo o ano passado foram 80 casos, número que pode ser ultrapassado em 2026 se a violência continuar nesse ritmo.
Diante dessa realidade, o Sindivigilantes do Sul aderiu ao Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que vem sendo firmada por sindicatos, entidades e movimentos sociais.
O documento foi assinado pelo presidente do sindicato, José Airton de Souza Trindade, pela diretora da Secretaria da Mulher, Cristilorem Luz, por demais diretoras e diretores presentes no Seminário de Lutas e Planejamento Estratégico da entidade, na manhã desta sexta-feira (12), no auditório do Sindicato dos Ferroviários.
“O Sindivigilantes do Sul assume o compromisso contra o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres. Convoca seus associados a assumirem responsabilidade ativa na defesa dos direitos das mulheres e no combate ao machismo. A iniciativa busca fortalecer redes de apoio contra o feminicídio, em um cenário marcado pelo aumento da violência de gênero e pela desigualdade que atinge de forma mais intensa as mulheres”, diz um trecho do manifesto.
Também participaram do evento, em apoio à iniciativa, a coordenadora da Central de Movimentos Populares, Marisa Silva; o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT-RS), Amarildo Cenci; o presidente do Sindicato dos Vigilantes de São Leopoldo, Gelson Camargo; o presidente do Sindicato dos Municipários de Guaíba, Guilherme Schneider; o representante do movimento Avante Sindical, Marcelo Dantas e dirigentes dessas entidades.
Sala de acolhimento da Secretaria da Mulher
Além da assinatura do pacto, a diretora Cristilorem anunciou que o sindicato passará a contar, em breve, com uma sala especial da Secretaria da Mulher para acolher mulheres vigilantes vítimas de violência.
“Também teremos um telefone exclusivo e plantões das diretoras para o recebimento de denúncias de violência doméstica, assédio moral e assédio sexual no trabalho”, afirmou.
O presidente José Airton destacou que essa iniciativa é apenas o primeiro passo da entidade na abordagem do tema.
“Não vamos ficar só nisso. Temos companheiras atuantes na Secretaria da Mulher do sindicato e assumo o compromisso de desenvolvermos esse trabalho, com mais reuniões, mais debates com a categoria e com outras entidades, para avançarmos no enfrentamento à violência contra as mulheres”, disse.
José Airton também reforçou a posição firme do sindicato contra o feminicídio: “Feminicídio não é apenas machismo. É uma covardia e uma vergonha. Isso tem que acabar. Não ao feminicídio!”, completou.
Machismo na sociedade
Diretoras, diretores e lideranças das entidades presentes também se manifestaram sobre o machismo ainda muito presente na sociedade brasileira. As falas destacaram que essa cultura de violência resulta em ataques cada vez mais frequentes contra esposas, companheiras, namoradas e também colegas de trabalho.
Segundo o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, a sociedade brasileira foi historicamente construída sobre bases machistas.
“Somos historicamente e culturalmente construídos como uma sociedade machista, principalmente nos países de matriz europeia, como o Brasil. Esse machismo se manifesta tanto na ocupação dos espaços de poder, como o Legislativo, quanto nos locais de trabalho, onde ainda existe a injustificada diferença de remuneração entre homens e mulheres”, afirmou.
Amarildo também destacou que discursos de autoridades públicas podem reforçar essa cultura de violência: “Quando um governante se declara machista ou trata a mulher como cidadã de segunda categoria, abre-se a porta para que essa base cultural já existente reforce ainda mais a violência contra as mulheres, devido a essa ideia de que o homem é superior ou dono da mulher”, afirmou.
Ele ainda defendeu penas mais duras para os agressores e a inclusão do debate sobre gênero e feminicídio nas escolas. “Enquanto isso, nós, homens, temos que combater essa cultura nas nossas famílias e nos ambientes de trabalho”.
Iniciativa histórica
Já a coordenadora da Central de Movimentos Populares do Brasil, Marisa Silva, afirmou que o Sindivigilantes do Sul tomou uma iniciativa histórica, especialmente por representar uma categoria predominantemente masculina e por ser uma das primeiras entidades a assinar o pacto.
“O combate ao feminicídio não pode ser apenas um documento assinado. Tem que funcionar na prática, porque a vida das mulheres começa quando a violência contra elas termina. Precisamos de mais formação feminista e de luta pela igualdade entre mulheres e homens”, concluiu.
Cooperativa habitacional
Na segunda parte do evento, o vice-presidente do sindicato e diretor da Cooperativa Habitacional dos Vigilantes (Vigicoop), Ilson dos Santos Pereira, apresentou projetos habitacionais com os quais a cooperativa mantém tratativas de parceria.
Segundo Ilson, existem iniciativas na Capital, na Região Metropolitana e em cidades do interior, como Casca, São Leopoldo, Viamão, Santa Maria e Canoas. Ele destacou que vigilantes sócios e seus filhos e filhas podem se inscrever na Vigicoop para buscar a casa própria.
“Inscrevam-se, preencham uma ficha no sindicato e nós entraremos em contato”, informou.
Fim da escala 6×1
O presidente da CUT-RS também falou sobre a luta pelo fim da escala 6×1, sem redução de salários. Segundo Amarildo, os próximos 30 dias serão decisivos para essa conquista.
Ele alertou que os empresários estão mobilizados contra a proposta e, inclusive, lançaram um manifesto nesta semana, para impedir que o projeto seja aprovado no Senado, após ter passado pela Câmara Federal.
Por isso, Amarildo conclamou a categoria a participar das mobilizações dos próximos dias para pressionar o Senado. Uma das atividades será a marcha marcada para o dia 1º de julho, em Porto Alegre.
A mobilização deve começar na Estação Rodoviária e percorrer ruas e avenidas do Centro da Capital, passando em frente à Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). “Participem. Contamos com a presença dos vigilantes, que estão sempre presentes nas nossas lutas”, concluiu.

















