SINDICATO E AGTS REALIZAM SEGUNDA OFICINA SOBRE TRABALHO SEM ASSÉDIO

Palestrante apresentou relatório de feminicídios no RS

Palestrante apresentou relatório de feminicídios no RS



A Associação Gaúcha dos Trabalhadores em Saúde (AGTS) e o Sindivigilantes do Sul realizaram, na noite desta terça-feira (26), a segunda oficina sobre Trabalho Sem Assédio, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras da saúde, segurança pública e segurança privada. Estão previstas, ao todo, 10 oficinas, sempre às terças-feiras, no auditório do Sindicato dos Ferroviários.

Desta vez, foram trabalhados conceitos relacionados como o assédio sexual, que foi definido pelo coordenador das oficinas, Fabrício Rocha, como “um comportamento indesejado de natureza sexual, sem consentimento, que pode envolver convites persistentes, toques, comentários ou qualquer outra conduta de conotação sexual não desejada”.

Feminicídios no RS

O momento mais impactante ocorreu na apresentação, pela publicitária Ana Saugo, do Relatório da Comissão Externa sobre Feminicídios no Rio Grande do Sul. Ela participou da redação do documento como assessora da deputada Maria do Rosário, relatora da comissão.

O relatório aponta que ocorreram 1.568 feminicídios no país em 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2015, quando foi criada a Lei do Feminicídio.

Isso representou um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, com uma média alarmante de quatro mulheres mortas por dia nessas circunstâncias. Outro dado trágico é que pelo menos 404 crianças presenciaram o assassinato das próprias mães.

No Rio Grande do Sul, no ano passado, foram registrados 92 feminicídios e 264 tentativas. Um dos episódios mais marcantes foi a chamada “tragédia da Páscoa”, em abril de 2025, quando o Estado registrou, em apenas 10 dias, uma sequência de 11 feminicídios, deixando ainda 15 órfãos de suas mães.

Em 2026, já são 36 feminicídios registrados até o momento, além de 99 tentativas, 11.275 ameaças, 69 estupros e 6.390 casos de lesão corporal. Nesse ritmo, caso nenhuma medida efetiva seja adotada, a expectativa é de que o número ultrapasse 100 casos neste ano no Estado.

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A palestrante, Ana Saugo, o presidente José Airton e os diretores Sílvio Ravanel e Sílvio Ravanel Jr.
Segundo estado com mais feminicídios

“Essa tragédia do feminicídio é praticamente uma pandemia no Rio Grande do Sul”, afirmou Ana Saugo. O Rio Grande do Sul fica atrás apenas de Minas Gerais em número de casos, destacou.

Entre as causas apontadas por ela estão fatores culturais e políticas públicas desestruturadas, que deveriam atuar na prevenção e proteção das mulheres. Como exemplo, destacou que o Rio Grande do Sul possui apenas 23 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) para um total de 497 municípios.

Ana também ressaltou situações em que mulheres agredidas se sentem desamparadas, desassistidas e até desestimuladas – por quem as atendem – a levar adiante o registro da agressão, que em muitos casos acaba culminando em feminicídio praticado pelo agressor — seja marido, companheiro, namorado ou outro indivíduo.

Campanhas massivas 

Segundo ela, o enfrentamento do problema passa por campanhas massivas de prevenção e conscientização da população, além do fortalecimento de políticas públicas efetivas, com a ampliação das DEAMs, centros de atendimento especializado, casas de abrigo e passagem, redes de saúde e assistência, orçamento maior para essas políticas, entre outras medidas.

“Queremos mostrar à sociedade que o feminicídio é um crime evitável”, afirmou. “Esse é um tema difícil, mas fico feliz em ver tantos homens participando deste encontro, precisamos de vocês nesse movimento. Sonho com um país mais justo e igualitário, onde a mulher não vá morrer pelo simples fato de ser mulher”, concluiu.

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A terceira oficina será realizada na próxima terça-feira (02), no mesmo local, na Rua Voluntários da Pátria, 595, 5º andar, a partir das 19h30.

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